segunda-feira , 18 dezembro 2017 - 17:15
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Cem anos da Terapia Ocupacional – transformando ações em independência e autonomia

Você sabe o que é Terapia Ocupacional? Acha que é uma especialização de outra área de saúde? A verdade é que a Terapia Ocupacional é muito mais que isso. É uma graduação de nível superior, onde a carga horária é dividida entre disciplinas teóricas, práticas e específicas, indispensáveis para execução da profissão.

O terapeuta ocupacional é habilitado para avaliar e tratar quaisquer pessoas que tenham o desempenho das suas atividades do cotidiano prejudicadas, por atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, doenças de origens neurológicas, traumato-reumaortopédicas, psíquicas, sensoriais e sociais, visando reabilitação física, percepto-cognitiva e social.

O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Piauí (CREFITO 14) cita que a Terapia Ocupacional “é uma área do conhecimento, voltada aos estudos, à prevenção e ao tratamento de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psicomotoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos e/ou de doenças adquiridas, através da sistematização e utilização da atividade humana como base de desenvolvimento de projetos terapêuticos específicos, na atenção básica, média complexidade e alta complexidade”.

A profissão possui inúmeras atribuições, como avaliar o desempenho ocupacional dos indivíduos dentro das suas atividades de vida diária de auto-cuidado, trabalho, lazer e intervindo nas capacidades motoras, cognitivas, sensoriais e sociais, buscando melhorar a qualidade de vida deste indivíduo, oferecendo estratégias e meios para que os mesmo consigam realizar suas atividades de forma independente, necessitando uso ou não de adaptações de ambiente ou de recursos (Tecnologia Assistiva).

O Terapeuta Ocupacional poderá, também, desenvolver programas que promovam o desenvolvimento de grupos, atuando com formação, habilitação profissional, assessoria, consultoria, administração e planejamento de serviços. Atua ainda em instituições educacionais, empresas, programas comunitários, hospitais, centros de saúde, ambulatórios, clínicas particulares etc. com clientela de diferentes especialidades: pediatria, psiquiatria, neurologia, reumatologia, ortopedia, saúde do trabalhador, gerontologia e geriatria, etc.

É um profissional que atua em diversas esferas da saúde (baixa, média e alta complexidade), educação (inclusão escolar) e campo social, favorecendo, crianças (recém-nascidos e infância), adolescente, adultos e idosos, avaliando e tratando para que os mesmos realizem suas atividades do cotidiano de maneira adequada e satisfatória.

O norte americano George Edward Barton, em 1914, cunhou o termo “Terapia Ocupacional” para definir o efeito terapêutico contido nas ocupações humanas. A aparição do termo é a origem terminológica da profissão de Terapeuta Ocupacional.

No mundo, tem sua atuação reconhecida principalmente nas áreas de saúde, educação e campo social, em 2017 completando 100 anos de existência. Seu advento aconteceu nos EUA após a Primeira Guerra Mundial, com a necessidade de traçar tratamento para os soldados feridos. No Brasil os primeiros cursos de graduação sugiram no final dos anos 50. A atuação do Terapeuta Ocupacional é regulamentada pelo decreto-lei nº 938/1969.

No Brasil, a Terapia Ocupacional completou 47 anos de regulamentação da profissão no ano de 2016, sempre buscando a reinserção social por meio da habilitação e reabilitação do seu desempenho funcional, promovendo maior independência do indivíduo.

Como a definição atual pode ser generalista, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) regulamentou, ao longo dos anos, as especialidades profissionais da Terapia Ocupacional, acrescentando, assim, ainda mais eficiência e competência à atuação do terapeuta ocupacional. Atualmente a profissão possui as seguintes especialidades: Acupuntura; Contextos Hospitalares; Contextos Sociais; Saúde da Família; e Saúde Mental.

No Piauí, hoje são em média de 60 profissionais espalhados por todo o Estado. Com uma carência significativa de profissionais, alguns Terapeutas Ocupacionais se organizaram e fundaram a Associação Brasileira dos Terapeutas Ocupacionais do Piauí (ABRATO-PI), vislumbrando promover qualificação aos profissionais e a abertura do curso de Terapia Ocupacional.

Um ano após a fundação da ABRATO-PI, em 2013, uma faculdade particular do estado começa a ofertar vagas para esta graduação, sendo de grande valia ressaltar que a primeira turma de Terapeutas Ocupacionais formada no Piauí se forma em 2017, ano do centenário da terapia ocupacional. Em 2014, o Piauí teve sua primeira eleição de um conselho exclusivo do Piauí, o CREFITO14. A partir dessa Eleição, se iniciou a gestão 2014-2018, onde tivemos vários avanços, como a divulgação da profissão nos meios acadêmicos, políticos e sociais; articulação para abertura do curso nas universidades públicas (UESPI e UFPI); apoio e promoção cursos ou aperfeiçoamentos e eventos do interesse dos Terapeutas Ocupacionais gratuitos e fiscalização do exercício ético e profissional. Por fim, deixamos nossas congratulações a todos os profissionais da Terapia Ocupacional do Piauí e do Brasil.

Klycia Machado Silva Marques
Terapeuta Ocupacional
Mestranda em Bioengenharia

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